terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Estudo é coisa séria! Como podemos ajudar uma criança a estudar?


Valquiria Maria Gonçalves

      “Aquele aluno não gosta de estudar!”, disse a professora. “Nossa, minha filha não quer estudar!”, lamentou a mãe. “Eu não gostava de estudar quando era criança e acho que não sirvo para isso até hoje!”, disse o estudante universitário. Será que a gente ou nasce gostando de estudar ou não tem jeito mesmo? É possível aprender a estudar ou melhorar nossas formas de estudar? E como podemos ajudar nossas crianças (e futuros adultos) a estudarem de modo mais eficaz e a gostarem disso?
      De acordo com Cortegoso e Botomé (2002), boa parte das dificuldades encontradas no contexto acadêmico, profissional e social relacionam-se a um repertório de comportamentos de estudo deficitário. Apesar de não ser ensinado diretamente, salvo poucas exceções, somos cobrados a estudar desde a educação infantil até o ensino superior. Nesses contextos de aprendizagem, parece que o estudar é muito mais visto como algo natural, que de alguma forma cada pessoa desenvolveria ao longo da educação formal, do que como um comportamento que seria objetivo do ensino em si (Kienen et al., 2017). Parece que com frequência, ao longo da nossa trajetória educacional, nos é ensinado português, matemática, ciências, mas não especificamente como estudar português, matemática e ciências, não é?

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Janeiro: Mês da Visibilidade Trans


Maria Beatriz C. Devides

       No dia 29 de janeiro comemora-se o Dia Nacional da Visibilidade Trans no Brasil, pois nesta data em 2004, pela primeira vez na história do Brasil, travestis e transexuais estiveram no Congresso Nacional para falar sobre suas realidades e lançar a campanha “Travesti e Respeito”. Quando falamos de visibilidade, estamos falando do reconhecimento do direito à existência das pessoas trans enquanto cidadãs e do respeito à diversidade, sendo de extrema importância, pois dentro da população LGBTTI, as pessoas travestis e transexuais, embora em menor número, são aquelas mais expostas às situações de violência e vulnerabilidade. Muitas vezes a falta de compreensão sobre o que é ser trans causa alguns preconceitos, como a imagem de que são pessoas exóticas, inumanas, que possuem algum tipo de doença ou transtorno mental. O desconhecimento gera medo de se aproximar, dificuldade em ter empatia e pode até mesmo motivar agressões.
       O significado do que é ser trans está vinculado a noção de “identidade de gênero”, que é a percepção que o indivíduo tem de si mesmo como mulher, homem ou pessoa não-binária. Pela lógica binária dos sexos, os sujeitos são divididos e classificados como femininos ou masculinos a partir de seus nascimentos, de acordo com suas genitálias. Ao serem classificados, essa identidade os acompanhará pelo resto de suas vidas social e jurídica, modelando suas práticas sexuais, influenciando na percepção que tem de si mesmos, na construção da autoestima e nos seus comportamentos, que serão incentivados ou punidos socialmente.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Janeiro Branco e a necessidade de aprender a cuidar da saúde emocional


Laira Cristine Estabile

        Para muitas pessoas pode parecer bobeira, mas dura até o momento em que alguém próximo passa por isso. Por mais que o assunto relacionado à saúde emocional parece não ser prioridade em muitos momentos, os dados do Ministério da Saúde, em 2016 mostraram o registro de 11.433 óbitos por suicídio no país. Isso dá uma média de 31 mortes por dia. No Paraná, de acordo com informações do Datasus (banco de dados do Ministério da Saúde) houve 768 casos de suicídio em 2016. Em 2018, foram 893 mortes por consequência de suicídio no Paraná. Podemos observar que o número de suicídio aumentou com o passar do tempo, e atualmente a compreensão e os cuidados com a saúde emocional se fazem por meio da consideração de vários fatores.
       Entre outros fatores que afetam a saúde emocional, estão os relacionamentos tóxicos, em que uma relação afeta negativamente momentos que poderiam ser felizes e também afeta a forma com que o mundo ao seu redor é sentido. Outro fator camuflado e considerado uma dificuldade social, histórica e atual é o preconceito que ocorre por meio de comparações e julgamento negativo entre diferentes pessoas. As dificuldades financeiras também abalam a vida de muita gente. As contas em aberto, a falta de dinheiro para ter acesso a saúde básica, já que muitas pessoas não tem acesso nem ao saneamento básico no Brasil, são algumas das variáveis que mexem com a autoestima e autoconfiança de várias pessoas.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Ano novo, hábitos velhos: como definir objetivos e conseguir alcançá-los?



Fernanda Torres Sahão

         Ah, o final do ano chegou! Férias, confraternizações, descanso e... frustração? Muitas pessoas acabam se sentindo decepcionadas com elas mesmas por não conseguirem cumprir os objetivos que definiram para o ano que se passou, e se esquecem de olhar para tudo que conseguiram realizar. Por que isso acontece? Por que é tão difícil alcançar nossos objetivos? Muitas vezes o problema está na definição desses objetivos: inicialmente, pensamos muito em como cumpri-los, mas não temos esse cuidado na hora de defini-los. Será que é possível definir objetivos passíveis de serem alcançados? Já adianto que sim!

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Dia da Consciência Negra em um país desigual




Thainã Eloá

O dia 20 de Novembro é celebrado como Dia da Consciência Negra, por ser a data de falecimento de Zumbi dos Palmares, no ano de 1695. E no dia 13 de Novembro de 2019, uma notícia tomou proporções virais em muitas das principais redes sociais atualmente utilizadas: a maioria dos estudantes das universidades públicas, pela primeira vez no Brasil, é de negros, totalizando 50,3% das vagas atualmente. Ainda dentro de dados estatísticos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 63,5% das crianças vítimas de trabalho infantil são negras, e a população negra recebe, em média, metade do salário de pessoas brancas. Isto, é claro, levando-se em conta os que estão vivos: o número de assassinatos de pessoas negras, a cada 100 mil habitantes, subiu de aproximadamente 37 para 43 indivíduos no período de 2012 a 2017, enquanto o número de vítimas da cor branca se manteve em aproximadamente 16. Estes números representam uma coisa bem clara: ainda vivemos em um país extremamente desigual quando falamos de raça, mesmo que agora tenhamos mais negros nas universidades, segundo os dados citados. Mas o que exatamente a Psicologia tem a ver com isso?

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Mulheres e sociedade: o problema da saúde mental


             

Jordana Fontana

        Muito já se ouviu falar sobre a mulher ser o sexo frágil, inclusive no que se refere a doenças psicológicas. Dados da Organização Mundial de Saúde (em inglês, WHO, 2001) demonstram que mulheres têm mais chance de desenvolver transtornos psicológicos, principalmente depressão e ansiedade. Qual o motivo dessa diferença? Seria a mulher biologicamente ou essencialmente mais propensa a ter mais problemas de saúde mental? Alguns estudos da psicologia, em especial da análise do comportamento, têm demonstrado que os problemas de saúde da mulher são uma consequência da nossa sociedade, constituída por práticas que oprimem as mulheres.
        A cultura em que vivemos é caracterizada pela desigualdade entre gêneros – isso não significa uma simples diferença, mas sim que um gênero se beneficia em detrimento do outro: homens são maioria em posições de poder e têm mais acesso a benefícios, ficando as mulheres com menos oportunidades de emprego, salários mais baixos, trabalhos de menor prestígio e condições financeiras mais precárias. Mulheres aprendem que certas coisas são tarefas “de homem”, e que elas não têm capacidade para fazer tais coisas. Falar que algo é “de mulher” é uma expressão comumente utilizada em tom pejorativo, e, portanto, o feminino é visto como inferior. Mulheres são menos respeitadas e sua capacidade intelectual é comumente colocada em cheque. Além disso, sofrem diariamente diversas formas de assédio e violência, que muitas vezes chegam ao extremo, no caso do feminicídio (Fontana, 2019). 

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Onde está a ciência no dia a dia?


Laira Cristine Estabile
Carlos Eduardo Costa
Verônica Bender Haydu

Você provavelmente já procurou um médico quando esteve com dor ou consultou a previsão do tempo do lugar onde passou as férias. Você também pode ter usado a matemática para avaliar seu orçamento e decidir comprar ou não algo interessante. Esses são exemplos de como as pessoas usam e recorrem ao conhecimento científico no cotidiano. No entanto, é muito comum a falta de conhecimento da função do cientista. Muitos concordam com a afirmativa de que “o papel do cientista é fazer ciência”, mas desconhecem como e porque a ciência é produzida da forma que é. Além disso, podem pensar que fazer pesquisa é trabalhar de jaleco branco em um laboratório (em especial a pesquisa experimental básica), isolado do mundo, como um cientista excêntrico retratado em alguns filmes. Há quem pense que a profissão investiga fatos distantes do mundo em que vivemos, ao mesmo tempo, alguns cientistas podem passar dias em laboratórios esterilizados com potes com culturas de células para testar se um novo composto pode ajudar a salvar vidas. Mas, será que teríamos chegado onde estamos sem os cientistas produzindo conhecimento para mudar o mundo para melhor?

A pesquisa científica é fundamental porque produz conhecimento e inovação dentro e fora do contexto em que a pesquisa inicial foi feita. Por exemplo, a penicilina foi descoberta ao “acaso” em uma cultura de laboratório e foi uma descoberta incrível para a manutenção da saúde das pessoas. Medidas usadas para avaliar o quanto determinados materiais dilatam são fundamentais para conseguirmos construir carros, aviões e foguetes que não deixem o combustível vazar e não explodam depois. A pesquisa básica também busca entender como pequenas situações podem afetar o comportamento dos organismos. Um animal em laboratório pode ajudar a entender como podemos melhorar nossa maneira de educar. Grande parte da produção de inovação, desenvolvimento científico e tecnologia resultam de métodos científicos.

A forma de construir o conhecimento a partir da pesquisa experimental básica pode aparentar não ter aplicação imediata na resolução de problemas que fazem parte do cotidiano da maioria das pessoas, mas é fundamental para a construção do conhecimento e para a resolução de problemas futuros. Apesar de levar tempo para ser utilizada em soluções práticas extralaboratório, a pesquisa experimental básica possui grande importância para a sociedade. Essa importância é obtida por meio da produção de conhecimento sobre o que afeta o comportamento e a partir da utilização de métodos científicos para o tratamento de doenças.

Para finalizar, o que permitiu aos seres humanos chegar até a contemporaneidade foi a construção de métodos usados na pesquisa básica. Às vezes esses métodos parecem não estar relacionados diretamente com mudanças e necessidades sociais. Mesmo assim, os cientistas buscam compreender relações detalhadas, posteriormente importantes para outras descobertas. Um exemplo disso é o marca passo, mundialmente conhecido: um aparelho que foi usado pela primeira vez na década de 1950 e emite pulsos elétricos estimulando a atividade do coração. Ainda sobre sua função, o cientista visa garantir desenvolvimento científico, inovação tecnológica e intervenções em diversas áreas. Muitos modelos de estudos desenvolvidos por cientistas “presos em seus laboratórios” possuem grande importância para a sociedade e não poderia ser diferente com a pesquisa básica!