Muito já se ouviu falar sobre a mulher ser o
sexo frágil, inclusive no que se refere a doenças psicológicas. Dados da
Organização Mundial de Saúde (em inglês, WHO, 2001) demonstram que mulheres têm
mais chance de desenvolver transtornos psicológicos, principalmente depressão e
ansiedade. Qual o motivo dessa diferença? Seria a mulher biologicamente ou
essencialmente mais propensa a ter mais problemas de saúde mental? Alguns
estudos da psicologia, em especial da análise do comportamento, têm demonstrado
que os problemas de saúde da mulher são uma consequência da nossa sociedade,
constituída por práticas que oprimem as mulheres.
A
cultura em que vivemos é caracterizada pela desigualdade entre gêneros – isso não
significa uma simples diferença, mas sim que um gênero se beneficia em
detrimento do outro: homens são maioria em posições de poder e têm mais acesso
a benefícios, ficando as mulheres com menos oportunidades de emprego, salários
mais baixos, trabalhos de menor prestígio e condições financeiras mais
precárias. Mulheres aprendem que certas coisas são tarefas “de homem”, e que
elas não têm capacidade para fazer tais coisas. Falar que algo é “de mulher” é
uma expressão comumente utilizada em tom pejorativo, e, portanto, o feminino é
visto como inferior. Mulheres são menos respeitadas e sua capacidade
intelectual é comumente colocada em cheque. Além disso, sofrem diariamente
diversas formas de assédio e violência, que muitas vezes chegam ao extremo, no
caso do feminicídio (Fontana, 2019).