segunda-feira, 8 de março de 2021

8M - As vozes mulheres

 

Imagem de: Carlos Latuff (2014)

Débora de Nez de Melo 
Denise Silveira Barbosa 

Mais um 8 de março. Dessa vez – e no que tem parecido ser um looping cruel de 2020 – com um gosto ainda mais amargo. As homenagens, chocolates, felicitações e a característica rosa que, no imaginário popular, dá forma e cor a essa data, nesses tempos, só podem ser coadjuvantes diante do panorama catastrófico de uma pandemia. No mundo, o cenário envolvendo as mulheres, já antes alarmante, se complexifica ainda mais: aumento na agressão por parceiros íntimos durante o isolamento social (ONU Mulheres, 2020), maioria na taxa de desemprego mundial (Oxfam, 2021), produtividade acadêmica comprometida em função das tarefas domésticas e homeoffice (Parent in Science, 2020) e por aí vai. No Brasil, somam-se a isso todos os aspectos culturais e infraestruturais, velhos conhecidos, e o caldo da questão das mulheres torna-se ainda mais intragável. 

quinta-feira, 4 de março de 2021

O feminismo na ciência do comportamento: quem foi Maria del Rosario Ruiz

 

Imagem via Soreth, Dickson e Terry (2017)

Jordana Fontana

    No mês em que celebramos o dia internacional das mulheres e meninas na ciência, é justo também discutirmos grandes nomes de cientistas do campo da análise do comportamento. A filosofia comportamentalista, que desde os primórdios se preocupou com a construção de uma sociedade melhor, não poderia deixar de lado discussões sobre igualdade entre gêneros e feminismo. No entanto, o comportamentalismo só aderiu essa linha de pesquisas devido à influência de Maria del Rosario Ruiz.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Faça Ciência como uma garota!

 

Wilson Beraldo e Carolina Bori, durante reunião do Conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência em 1989 (Folha de São Paulo, 22/03/1989, Caderno 8)

Fernanda Torres Sahão
Valquiria Maria Gonçalves

    No dia 11 de fevereiro comemora-se o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. Criada pela ONU em 2015, a data tem como objetivo honrar nomes de cientistas mulheres que fizeram história, além de inspirar e engajar outras meninas a seguirem na área, bem como evidenciar o debate sobre a desigualdade de gênero que também ocorre na área científica. Aproveitando a celebração da data, em 2019, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) criou o Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher” para homenagear as cientistas brasileiras e incentivar as futuras cientistas do país. O prêmio recebe o nome de Carolina Bori em homenagem à primeira mulher presidente da SBPC e à sua notória contribuição para o desenvolvimento científico brasileiro.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Compreendendo o comportamento do/da motorista por meio das relações derivadas



Bruna Resende Teixeira
Verônica Bender Haydu
João Henrique de Almeida


Acidentes de trânsito são uma questão de saúde pública. Estima-se que cerca de 1,35 milhão de pessoas morrem anualmente no mundo por acidentes de trânsito (OPAS/OMS, 2019), sendo o principal fator responsável por esse fato, o comportamento do/da motorista (de Almeida-Leitão et al., 2019). Para compreender as variáveis comportamentais relacionadas ao comportamento do/da motorista, a Teoria das Molduras Relacionais (Relational Frame Theory - RFT) nos apresenta o responder relacional arbitrariamente aplicável.
Caracterizado como um comportamento operante generalizado, o responder relacional arbitrariamente aplicável permite explicar a linguagem e cognição humana. Desde pequenos somos expostos a contingências da comunidade verbal em que aprendemos a estabelecer relações inicialmente treinadas diretamente e não-arbitrárias e, posteriormente, exibimos respostas relacionais não treinadas e arbitrárias. Deste modo, diferentes tipos de relações possíveis são aprendidos por meio de dicas contextuais como: similaridade, oposição, diferença, entre outras (Hughes, Barnes-Holmes & Vahey, 2012). O responder relacional arbitrariamente aplicável é um operante que ocorre de forma previsível e ordenada, a partir do controle contextual. Assim, a explicação da RFT nos permite compreender como as palavras adquirem significado e porquê os indivíduos reagem a elas da forma como o fazem.
            A proposta apresentada pela RFT para o entendimento do repertório verbal dos indivíduos permite descrever os comportamentos dos/das motoristas. Esses comportamentos configuram um conjunto de regras arbitrárias de como se portar no trânsito, visto que para a RFT, esse é um comportamento verbal. Segue-se que essas regras serão capazes de modificar o significado de elementos presentes no ambiente dos/das motoristas, estabelecendo funções específicas, mesmo em casos em que ele nunca havia respondido aquela condição anteriormente (de Almeida & Perez, 2016; Barnes-Holmes et al., 2010). Desse modo, o comportamento de dirigir depende essencialmente do controle contextual que irá estabelecer como o contexto funcional e relacional irá controlar os significados afetando as respostas dos/das motoristas.
Vamos então analisar o comportamento de um/uma motorista que dirige numa grande cidade durante a madrugada. Por exemplo, nesse contexto, a luz vermelha do semáforo evoca a resposta de parar o carro, a luz amarela de diminuir a velocidade e ficar mais “atento” e a luz verde de prosseguir no percurso. Supondo que se o/a motorista estiver diante do semáforo, a luz vermelha tem um significado claro – parar. Por outro lado, durante a madrugada e em uma via perigosa. Nesse contexto, mais elementos são relacionados a regra anterior de parar diante do sinal vermelho. O período da madrugada e estar em uma via perigosa são elementos que irão adicionar uma função de “sensação de perigo”, o que irá afetar a resposta evocada pelos estímulos das luzes do semáforo. Nesse caso, provavelmente o/a motorista não irá parar o carro, mesmo que o sinal esteja vermelho. A probabilidade maior é que o/a motorista apenas reduza a velocidade e dê sequência ao percurso. Dado que, a resposta relacional arbitrariamente aplicável que estabelecia um significado simples para o sinal vermelho, agora se tornou mais complexa e, como consequência, o significado anterior foi drasticamente modificado. Assim, compreendemos a importância do controle contextual para interpretação de diferentes respostas diante de um mesmo estímulo. O significado não é estabelecido graças apenas a um estímulo, mas o contexto determina como as funções serão transformadas, determinando o comportamento final observado.
A compreensão do controle contextual é essencial para a compreensão do comportamento dos/das motoristas. Dado que o repertório verbal do indivíduo desempenha um papel essencial para o entendimento do comportamento de dirigir. Indivíduos com uma história de controle arbitrário menos flexível e fortalecida podem seguir cegamente as regras de trânsito a despeito de sua própria segurança. Por outro lado, indivíduos com uma história mais flexível em relação seguir regras de trânsito, podem ter essas respostas relacionais arbitrariamente aplicáveis mais facilmente modificadas. Nesses casos, elas podem incluir elementos adicionais, como vantagens pessoais ou mesmo o atraso em algum evento afetando o comportamento do/da motorista. Conclui-se que ao se considerar o responder relacional arbitrariamente aplicável, uma compreensão mais precisa do comportamento do/da motorista pode ser obtida, ampliando as possibilidades de investigações sobre esse comportamento, bem como, a compreensão do envolvimento de motoristas em acidentes de trânsito.

REFERÊNCIAS

Barnes-Holmes, D., Barnes-Holmes, Y., Stewart, I., & Boles, S. (2010). A Sketch of the Implicit Relational Assessment Procedure (IRAP) and the Relational Elaboration and Coherence (REC) Model. The Psychological Record, 60(3), 527–542. doi:10.1007/bf03395726
de Almeida-Leitão, P., Bezerra, I. M. P., de Sousa Santos, E. F., de Lira-Ribeiro, S., Takasu, J. M., Carlesso, J. S., & de Abreu, L. C. (2019). Mortalidade por acidentes de trânsito, antes e após redução da velocidade média de veículos automotores na cidade de São Paulo, Brasil, no período de 2010 a 2016. Journal of Human Growth and Development, 29(1), 83-92.
de Almeida, J. H., & Perez, W. F. (2016). Paus e pedras podem machucar, mas palavras... também! - Teoria das molduras relacionais. In Soares, P. G, de Almeida, J. H. & Xavier, C. C.  Experimentos clássicos em análise do comportamento [recurso eletrônico].  - Brasília: Instituto Walden4, 2016. 333 p. ISBN: 978-85-65721-10
Hughes, S., Barnes-Holmes, D., & Vahey, N. (2012). Holding on to our functional roots when exploring new intellectual islands: A voyage through implicit cognition research. Journal of Contextual Behavioral Science, 1(1-2), 17-38. doi: 10.1016/j.jcbs.2012.09.003
Organização Mundial da Saúde (OMS). Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). 2019. Disponível em: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5147:acidentes-de-transito-folha-informativa&Itemid=779

Como podemos ensinar crianças com autismo a seguir instruções?



Lara Gil Ribeiro Lenza
Verônica Bender Haydu


            Você provavelmente já ouviu falar em Transtorno do Espectro Autista (TEA), certo? Em março de 2020 foi divulgada a nova prevalência segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC): uma em cada 54 crianças (Baio et al., 2020) tem o diagnóstico de TEA. Uma das características de crianças com esse diagnóstico é a dificuldade em seguir instruções básicas do dia a dia. A ausência dessa classe de comportamentos dificulta o estabelecimento de interações sociais e o desenvolvimento de outras habilidades. Os métodos de ensino analítico-comportamentais demonstraram ser particularmente relevantes para o desenvolvimento do controle instrucional, caracterizando-se como uma forma adequada de intervenção em casos de TEA.
A dificuldade de seguir instruções está associada a um dos critérios diagnósticos do TEA, que inclui déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos (DSM-V, 2013). Seguir uma instrução exige dois componentes fundamentais: compreender o que foi instruído e executar o que a instrução especifica (e.g., Hayes e Hayes, 1989). Esses dois componentes – compreender e executar – envolvem a interação entre o ouvinte e o falante, e então surge a necessidade de intervir em tal habilidade.
Uma forma de ensinar a compreensão e o seguimento de regras a uma criança é a apresentação sistemática de uma instrução pelo falante, a solicitação da emissão do comportamento pelo ouvinte e a liberação de uma consequência positiva (reforçadores) para a resposta de seguir a instrução. O falante pode, por exemplo, pedir para que a criança guarde um brinquedo. Assim que ela o fizer, é importante que algum item tangível de sua preferência seja liberado. Vale ressaltar que uma consequência específica é importante para selecionar o comportamento, no entanto, é fundamental que aos poucos consequências reforçadoras tangíveis sejam substituídas por reforçadores sociais como o elogio. Outro ponto importante é a ajuda: nas primeiras vezes em que a instrução for fornecida a criança pode precisar de ajuda física para segui-la. Assim como com os reforçadores, o instrutor deve diminuir sucessivamente a ajuda, até que a criança consiga segui-la sozinha.
O ensino do seguimento de instruções permite o desenvolvimento da compreensão do que é solicitado pelo falante. Essa compreensão pode ser generalizada para diferentes contextos que exijam independência e autonomia da criança para executar uma série de comportamentos, sejam eles sociais ou acadêmicos. As intervenções comportamentais consideram os pré-requisitos e as habilidades individuais de cada criança ao planejar programas de ensino. Esses programas devem considerar o ensino de repertórios básicos como a compreensão de instruções e o seguimento delas, pois dessa forma uma quantidade muito grande de outras habilidades podem ser ensinadas. .

Referências
Associação Americana de Psiquiatria. (2013). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-V. 5ª Ed. Washington: Associação Americana de Psiquiatria.
Baio, J., Wiggins, L., Christensen, D. L., Maenner, M. J., Daniels, J., Warren, Z. … Dowling, N. F. (2020). Prevalence of Autism Spectrum Disorder among children aged 8 years – Autism and Developmental Disabilities Monitoring Network, 11 Sites, United States, 2016. MMWR Surveill Summ, 67 (No. SS-6): 1–23.
Hayes, S. C. & Hayes, L. J. (1989). The verbal action of the listener as a basis for rule-governance. In S. C. Hayes (Org.), Rule-governed behavior: Cognition, contingencies, and instructional control (pp. 153-190). New York: Plenum.


terça-feira, 30 de junho de 2020

Orgulho LGBT e o papel social e científico dos analistas do comportamento


Leandro Herkert Fazzano

O mês de junho é conhecido como o mês do Orgulho LGBT. Muito provavelmente, você deve ter notado que, ao longo desse mês, diversas empresas estamparam em seus logotipos um arco-íris, que representa a bandeira do movimento LGBT. Ou então, pode ter visto alguns filtros ou postagens em redes sociais falando sobre o mês do Orgulho. A grosso modo, a importância de ter uma celebração do Orgulho LGBT se dá pela necessidade de visibilidade desta população negligenciada e oprimida socialmente.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Maio Amarelo: Conscientização para redução de acidentes de trânsito



Elaini Karoline Russi
Verônica Bender Haydu


E aí, você já utilizou o trânsito hoje? Quando saímos de nossas casas para realizar qualquer outra atividade, necessariamente, precisamos utilizar o trânsito. Como assim? Trânsito conforme o Código de Trânsito Brasileiro é “a utilização das vias por pessoas, veículos e animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins de circulação, parada, estacionamento e operação de carga ou descarga” (CTB 1998/2013, p. 19). Agora que você já sabe o que é trânsito, vale a pena também saber que o mês de maio é dedicado ao Movimento Maio Amarelo que visa conscientizar as pessoas para redução de acidentes de trânsito.