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quinta-feira, 14 de maio de 2020

Maio Amarelo: Conscientização para redução de acidentes de trânsito



Elaini Karoline Russi
Verônica Bender Haydu


E aí, você já utilizou o trânsito hoje? Quando saímos de nossas casas para realizar qualquer outra atividade, necessariamente, precisamos utilizar o trânsito. Como assim? Trânsito conforme o Código de Trânsito Brasileiro é “a utilização das vias por pessoas, veículos e animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins de circulação, parada, estacionamento e operação de carga ou descarga” (CTB 1998/2013, p. 19). Agora que você já sabe o que é trânsito, vale a pena também saber que o mês de maio é dedicado ao Movimento Maio Amarelo que visa conscientizar as pessoas para redução de acidentes de trânsito.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017


Como formar melhores condutores para o trânsito



Glisiane Zolim Canali
Nádia Kienen


Você sabia que o trânsito representa uma das principais causas de morte no mundo? Sendo a principal entre os jovens na faixa etária de 15 a 29 anos? De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1,25 milhão de pessoas morrem a cada ano no trânsito em todo o mundo (World Health Organization [WHO], 2015). E no Brasil não é diferente! O ano de 2014 contabilizou, em números absolutos, 43780 vítimas fatais no país (Observatório Nacional de Segurança Viária [ONSV], 2016b).  Isso significa que o Brasil tem uma taxa de 21,59 mortos por 100 mil habitantes e, de acordo com a OMS, é o país com maior número de mortes no trânsito por habitante da América do Sul (WHO, 2015). O gasto total com acidentes de trânsito no Brasil ultrapassou o valor de R$ 56 bilhões de reais em 2014 (ONSV, 2016a). Esse elevado número de acidentes de trânsito tem produzido um grande impacto social e econômico para o país.
Embora o Brasil tenha implementado leis para o aumento da segurança e diminuição dos índices de fatalidades relacionadas ao trânsito, isso não tem sido suficiente para conter ou diminuir o número de óbitos. A OMS destaca que a redução dos índices de acidentes se dá com a aplicação das leis e com “mudanças positivas” dos comportamentos da população (WHO, 2015).  Essa mudança de comportamento é essencial, uma vez que 90% dos acidentes de trânsito estão relacionados à falha humana (ONSV, 2015). Visando esse objetivo, o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) modificou a estrutura do curso para a formação de condutores com o aumento da carga horária de aulas de direção defensiva¹. Entretanto, manteve-se a tendência de crescimento do número de óbitos em acidentes de trânsito.
Investir em propostas que tragam mudanças significativas no comportamento dos indivíduos, comparada a outras intervenções (melhoria de vias públicas e/ou renovação da frota com veículos mais seguros) é, possivelmente, a alternativa que pode trazer melhores resultados, além de ser a mais economicamente viável dadas as condições atuais do país. E se o aumento da carga horária do curso de direção defensiva não tem sido suficiente para diminuir os índices de acidentes de trânsito, cabe o questionamento sobre como estão sendo preparados os novos condutores nos centros de formação. O que está sendo ensinado para eles? Muitas vezes o processo ensino-aprendizagem está focado em “passar conteúdos” para o aprendiz e acaba negligenciando o aspecto mais importante: prepará-lo para lidar com as situações com que se deparará no trânsito em seu cotidiano.
Nesse aspecto, a “Programação de Condições de Desenvolvimento de Comportamentos” (PCDC), uma área que se desenvolveu a partir da Análise Experimental do Comportamento, tem muito a contribuir. Ao atentar para a identificação, caracterização e desenvolvimento dos comportamentos que são esperados do aprendiz, a PCDC permite programar condições propícias para a ocorrência de aprendizagem. Ao ensinar novos comportamentos, no caso, os relacionados à direção defensiva, algumas dúvidas podem surgir, como por exemplo: “quais são os comportamentos que uma pessoa necessita apresentar para que se possa dizer que ela está dirigindo defensivamente? ”. O estudo de Russi (2016) identificou, a partir do Capítulo III do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), 415 classes de comportamentos componentes da classe geral “conduzir veículo motorizado”, dentre eles, 182 classes de comportamentos referentes à direção defensiva. Assim, analisar materiais que têm sido usados em centros de formação de condutores parece ser promissor como forma de ampliar a compreensão a respeito de “dirigir defensivamente em vias públicas”, estudo iniciado por Russi. Esses materiais apresentam comportamentos do condutor de veículo automotivo relacionados ao veículo, via de trânsito, ambiente e regras gerais de trânsito. Dessa forma, ao caracterizar quais comportamentos são esperados de um condutor para que ele dirija defensivamente evidencia-se o que o aprendiz necessita aprender no seu processo de formação. Buscando assim, formar condutores mais capazes de promoverem um trânsito mais seguro.

1.Direção Defensiva: “é a forma de dirigir, que permite reconhecer antecipadamente as situações de perigo e prever o que pode acontecer com o motorista, os acompanhantes, o veículo e os outros usuários da via” (DENATRAN, 2005).

Para mais informações, consultar:
DENATRAN. (2005). Direção defensiva: trânsito seguro é um direito de todos. Retirado de http://www.vias-seguras.com/comportamentos/direcao_defensiva_manual_denatran
Kienen, N., Kubo, O. M., & Botomé, S. P. (2013). Ensino programado e programação de condições para o desenvolvimento de comportamentos: alguns aspectos no desenvolvimento de um campo de atuação do psicólogo. Acta Comportamentalia, 21(4), 481–494.
Observatório Nacional de Segurança Viária. (2015). 90% dos acidentes são causados por falhas humanas. Retirado de http://www.onsv.org.br/noticias/90-dos-acidentes-sao-causados-por-falhas-humanas-alerta-observatorio
Observatório Nacional de Segurança Viária. (2016a). Custos dos acidentes. Retirado de http://iris.onsv.org.br/iris-beta/#/stats/profiles/0/cost
Observatório Nacional de Segurança Viária. (2016b). Mortes. Retirado de http://iris.onsv.org.br/iris-beta/#/stats/profiles/0/death
Russi, E. K. (2016). Identificar os comportamentos básicos componentes da classe geral de comportamentos denominada “Conduzir veículo motorizado” conforme o Código de Trânsito Brasileiro. (Dissertação de mestrado não publicada). Universidade Federal do Paraná. Curitiba, PR.
World Health Organization. (2015). Global status report on road safety 2015. Genebra: World Health Organization. Retirado de http://www.who.int/violence_injury_prevention/road_safety_status/2015/en/