segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Jogos Educativos: um quebra-cabeça desafiante para os Designers de Jogos



Raissa Roberti Benevides
Verônica Bender Haydu
Silvia Regina de Souza

Os jogos educativos são um meio divertido e eficaz para ensinar diversos comportamentos, desde os mais simples, como higiene bucal, até os mais complexos, como os acadêmicos e os pró-sociais. Em vista disso, é interessante que professores sejam ensinados a elaborar e adaptar jogos para serem utilizados como recursos adicionais em sala de aula. Contudo, criar um jogo que tenha por finalidade o ensino de comportamentos tão complexos não é uma tarefa fácil. O desenvolvimento de jogos, baseado nos princípios do Design de Jogos, compreende um conjunto de etapas para que o produto final garanta a imersão do aprendiz e a aprendizagem dos comportamentos-alvo. Este texto tem por finalidade apresentar, sucintamente, as principais etapas envolvidas no processo de criação de jogos.
O processo para a criação de jogos compreende uma série de etapas por parte de quem cria o jogo, ou seja, o designer. Mas quais são essas etapas? A seguir apresentamos algumas delas que foram resumidos a partir de proposições das áreas do Design de Jogos e da Análise do Comportamento.

A prevenção do abuso sexual infantil a partir do foco no abusador




Annie Wielewicki
Verônica Bender Haydu
Alex Eduardo Gallo

            Quando se fala em pedofilia e\ou em abuso sexual de crianças e adolescentes, a vítima tende a ser o primeiro foco de interesse, justificado pelas consequências devastadoras decorrentes do abuso e pelo dever de proteção dos direitos e da dignidade das crianças e adolescentes, estabelecido no Artigo 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). No entanto, conhecer o comportamento do pedófilo ou daquele que cometeu o delito sexual contra crianças e adolescentes é uma possibilidade, menos explorada pelos pesquisadores, de investir em prevenção de casos de abuso sexual infantil. Mas, como esse olhar direcionado ao pedófilo poderia ser revertido em prevenção do abuso? Conhecer a história de vida dessas pessoas pode trazer luz à como os comportamentos de interesse sexual por crianças e adolescentes ou comportamentos de abuso foram desenvolvidos e assim fornecer pistas de como atuar para que comportamentos alternativos sejam aprendidos ao longo da vida. Entender que situações no contexto presente desses indivíduos podem tornar mais provável comportamentos que levem ao abuso, pode ser uma forma eficiente de planejar intervenção com foco na prevenção de comportamentos e situações de risco. Compreender os déficits comportamentais dos pedófilos pode auxiliar no planejamento de intervenções que visem desenvolver habilidades que tenham como efeito a diminuição da probabilidade de o desejo de interação sexual com menores se converter em abuso e na produção de interações socialmente adequadas.
            Assim, investir em pesquisa com o foco no comportamento do pedófilo pode ser uma importante alternativa na proteção de crianças e adolescentes tendo em vista que esse viés de análise permite uma intervenção no sentido de favorecer maior ajustamento daqueles que apresentam o transtorno e, com isso, menor chance da prática de abuso sexual.

Bibliografia sugerida:

Finkelhor, David. A sourcebook on child sexual abuse. Beverly Hills: Sage, 1986. 276p. Serafim, A. de P.,  Saffi, F.a, Rigonatti, S. P., Casoy, I., & de Barros, D. M. (2009). Perfil psicológico e comportamental de agressores sexuais de crianças. Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo), 36(3), 101-111. Recuperado de: https://dx.doi.org/10.1590/S0101-60832009000300004


sábado, 5 de novembro de 2016

Não matarás. Não adulterarás. Não furtarás.




Gabriel Paes de Barros Gonçalves
Camila Muchon de Melo
Verônica Bender Haydu 
 
Recompensas são prometidas para quem seguir esses e outros mandamentos bíblicos, enquanto punições são prometidas para quem decidir desobedecê-los: “Quem ferir alguém, de modo que esse morra, certamente será morto”. Essa é apenas uma forma de atribuir responsabilidade a alguém pelos seus atos. Mas por que responsabilizamos as pessoas? A resposta parece óbvia: porque as pessoas sabem o que é certo e o que é errado, conhecem o bem e também o mal, então sabem o que podem e o que deveriam fazer. Na visão da Análise do Comportamento, entretanto, a explicação segue um caminho diferente e é dele que vamos tratar adiante.
É possível dizer que a sociedade dá valor às coisas de acordo com o potencial reforçador que elas têm em cada contexto. Desvio de dinheiro público, por exemplo, é crime. Nesse contexto, é esperado que os políticos apliquem o dinheiro em ações que beneficiem os cidadãos; em outras palavras, é o que a sociedade reforça, é o que a sociedade quer manter e, portanto, é o certo. Diferentes sistemas políticos têm diferentes normas, assim como diferentes religiões têm seus próprios princípios. Nós, enquanto pertencentes a um grupo, tendemos a agir de acordo com tais valores, mesmo quando não sabemos descrevê-los. Dizemos, então, que existe uma relação de controle do grupo sobre o indivíduo que se comporta.
Assim como os valores, o modo como pensamos sobre responsabilidade também varia de acordo com o contexto. Alguns grupos podem achar certo amarrar um assaltante no poste e agredi-lo em nome de um bem, enquanto outros podem olhar para a mesma situação e dizer que isso é errado. Não há nenhum comportamento bom ou ruim, em si, o que existem são valores que as pessoas atribuem, são formas de responsabilizar.
Saber que a sociedade em que estamos determina nossos valores e como devemos pensar a respeito do que acontece no mundo pode parecer um pouco desesperador. Perceber que diferentes possibilidades de entender o certo e errado existem e que a maneira como olhamos para as atitudes das pessoas e as responsabilizamos, entretanto, é uma oportunidade de revermos esses valores, fortalece-los ou mudá-los de maneira que o nosso bem possa também ser o bem de nossa sociedade, de nossa cultura.

Saiba mais sobre os valores de uma cultura em: Skinner B. F. (1973). Valores. Em O mito da liberdade (p. 83-102). 2° ed. Rio de Janeiro: Edições Bloch. (Trabalho original publicado em 1971).

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Esquecer. Um problema?





Heiny Harold Diesel
Verônica Bender Haydu

Tudo que é aprendido pode ser esquecido. Cada nome, endereço ou senha que exige que algo seja lembrado contém nessa própria condição a possibilidade de que algo seja esquecido. Dentro de um contexto cotidiano, talvez a consequência de esquecer um nome, localização ou outra trivialidade nem se note, em outros contextos o esquecimento pode ser até benéfico, já para um contexto jurídico esquecer de algo pode não ser uma boa. Esse tema é certamente um assunto que interessa a muitos e impulsiona vários campos de pesquisa, como tem ocorrido desde Ebbinghaus (1885) ao estudar memória de longo prazo até autores da Análise do Comportamento como Catania (1984) ao propor propostas interessantes de estudos de memória. O esquecimento é um fenômeno do nosso cotidiano e compreender seu funcionamento parece ser uma tarefa importante uma vez que a depender do contexto, consequências diferentes o seguem.
É tentador atribuir características negativas para o esquecimento já que esquecimento em demasia realmente pode ser um problema. Porém lembrar em excesso também pode gerar complicações. Um indivíduo com capacidade de lembrar segundo a segundo do que viveu em um dia, talvez levaria um dia inteiro para lembrar o que aconteceu no dia anterior, caso se engajasse nessa tarefa. Abstrair, organizar, categorizar e até mesmo esquecer, são condições que favorecem que o indivíduo fique sobre controle de eventos presentes, atuais e até futuros. Como lembrar que seu aniversário está chegando e programar algo divertido com pessoas que você gosta. Outros possíveis benefícios do esquecer podem estar relacionados com a economia cognitiva e a adaptação ao meio em que o indivíduo vive (Izquierdo, 2006).
Afinal, esquecer é ou não um problema? Para responder essa pergunta talvez seja necessário a utilização de um dos mais clássicos jargões: Depende. Não parece correto imputar de pronto aspectos negativos e apenas esses, quando tratamos do esquecer. Parece necessário olhar para a relação entre o que é esquecido e as consequências (individuais, sociais entre outros aspectos). É quase certo, a não ser que algo tenha sido esquecido entre o começo, o desenvolvimento e a finalização deste material que a aparente ausência de resposta “sim” e “não” sobre a pergunta contida no título esteja mais para um exercício de raciocínio livre do que para um esquecimento corriqueiro.

Referências

Ebbinghaus, H. (1885/1962). Memory: A contribution to experimental psychology. New York: Dover.

Catania, A. C. Aprendizagem: comportamento, linguagem e cognição. Artmed, Porto Alegre, 1999.

Izquierdo I. Memória. Porto Alegre: ArtMed, 2006.