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quarta-feira, 28 de abril de 2021

Como a gamificação pode transformar alunos em agentes secretos, fadas ou piratas motivados a aprender

 

Fabiana Paula Fieldkircher

            É urgente a necessidade de adaptação do sistema de ensino ao contexto do século XXI, como revela a crescente busca dos educadores pelas chamadas metodologias ativas. Os métodos ainda utilizados na Educação não foram desenvolvidos para os estudantes de hoje, chamados por Prensky (2001) de “nativos digitais”. Na escola, encontram um ambiente diverso daquele em que permanecem na maior parte de seus dias. Estão habituados a acessar as informações e os conteúdos que mais lhe aprazem, seja por interesse ou diversão, com a acentuada velocidade proporcionada pela internet – o que a maioria faz pelo seu próprio dispositivo eletrônico (Cetic, 2018). Fica difícil para a escola competir com as dinâmicas e interativas telas. Uma das estratégias que pretendem diminuir a disparidade entre os dois contextos é a gamificação de atividades educacionais.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Não se nasce pesquisador, torna-se!



Natalia Ramos Bim
Verônica Bender Haydu

Desde a infância muitas pessoas sonham o que querem ser quando crescer. Muitos querem ser médicos, engenheiros, psicólogos etc. Esse desejo por uma profissão, em geral, conduz o processo de decisão do que cursar no Ensino Superior. O que poucas pessoas sabem, no entanto, é que os conhecimentos aplicados na prestação de serviço são resultados de pesquisas, testes e experimentos. É por meio de estudos desse tipo que a eficácia e eficiência das práticas e procedimentos é comprovada. Um medicamento para dor de cabeça, por exemplo, só chegou ao consumidor depois que equipes de pesquisadores trabalharam arduamente para comprovar resultados favoráveis, reduzindo a dor das pessoas. Fazer pesquisa científica assume um lugar de importância e de prioridade em todos as áreas de atuação. Formar profissionais pesquisadores é tão importante quanto formar profissionais prestadores de serviços. Entretanto, esse é um campo de atuação pouco conhecido dos jovens interessados no Ensino Superior e leva à seguinte questão: como fazer a iniciação científica de alunos dos mais diversos níveis de ensino?
O trabalho científico envolve a formulação de um problema de pesquisa (uma pergunta), a realização do estudo e a apresentação dos resultados do estudo em meios de comunicação científicos. A partir de perspectivas teóricas específicas, o objetivo é avançar em um determinado campo do conhecimento. O comportamento do cientista está sob controle do seu objeto de estudo e é sensível às alterações decorrentes de seus estudos. Sabendo disso, o processo de formação de pesquisadores passa pela modelagem de habilidades básicas específicas, que deve ser iniciada nos primeiros anos do Ensino Fundamental e acompanhado até o Ensino Superior.
Nas escolas – no Ensino Fundamental e Ensino Médio –, os alunos devem ser expostos a conteúdos científicos, com visitas a universidades, centros de pesquisas e laboratórios, e conversas e entrevistas com pesquisadores. É importante que os educadores direcionem interesses dos alunos e os ensine a pensar criticamente sobre os fenômenos naturais. Além disso, que os ensinem a identificar problemas para serem solucionados, a identificar lacunas nas áreas de conhecimento, a formular objetivos de pesquisa, a delinear procedimentos, a coletar dados e a analisá-los cuidadosamente.
No Ensino Superior, especialmente, professores podem desde o primeiro ano da graduação divulgar entre os alunos as pesquisas que eles/elas desenvolvem, a incentivar a participação ativa em grupos de estudos e projetos de pesquisa, bem como a participação em eventos científicos. Nas disciplinas incentivá-los a lerem conteúdos de revistas e periódicos científicos, a realizar pesquisas e incentivar a redação de relatos de pesquisa.
A exposição a essas e outras experiências proporcionará contexto para que os estudantes desenvolvam repertório de pesquisa. São habilidades que pouco a pouco vão sendo aprimoradas, por isso todo o processo de iniciação científica deve ser acompanhado e supervisionado. É preciso haver modelo e também diálogo, feedback e reconhecimento. É isso que manterá o estudante engajado, comprometido e seguro. Assim, pode-se concluir que ser pesquisador não é algo natural, que se nasce sabendo, é preciso arranjo de contingencias para proporcionar essa formação.

Leitura adicional
Fava-de-Moraes, Flavio, & Fava, Marcelo (2000). A iniciação científica: muitas vantagens e poucos riscos. São Paulo em Perspectiva, 14(1), 73-77. https://dx.doi.org/10.1590/S0102-88392000000100008

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Ser criativo: um comportamento que pode ser aprendido




Thaís Sousa Silva
Verônica Bender Haydu

É bastante comum, em diversos momentos da vida, ouvir a sugestão de que se deve fazer determinada atividade de um jeito criativo. Será que apenas saber que se deve ser criativo é suficiente para ser? Ser capaz de identificar uma resposta criativa ou, ainda, identificar as consequências advindas dela não torna o sujeito que se comporta imediatamente apto a agir assim. Para analistas do comportamento, saber e fazer são dois comportamentos distintos e estão sob controle de diferentes variáveis. Assim, saber o que é ser criativo pode ser importante, mas não necessariamente para se comportar criativamente. Ser criativo é possível quando as consequências produzidas por ações (respostas) criativas mudam o ambiente e essas mudanças (reforçadores ou punidores) aumentam ou diminuem a probabilidade de ocorrência dessas ações.
O ambiente que nos cerca mais do que apenas influenciar nossos comportamentos, é responsável por selecioná-los. Isso significa que o comportamento criativo antes de adquirir valor para o indivíduo deve ser importante para a comunidade que o cerca. Afinal, essa comunidade é responsável por liberar consequências reforçadoras para o sujeito que se comporta criativamente e, com isso, garantir que esse comportamento volte a ocorrer. Diversas respostas inusitadas que, por ventura, tenham sido emitidas, ao não serem reforçadas pela comunidade verbal podem não ser selecionadas e, por conseguinte, entram em extinção. Isso nos leva a refletir: quantos comportamentos originais podem ter ocorrido e não terem sido estabelecidos porque não foram reforçados pela comunidade verbal?
É por conta dessa validação feita pela comunidade como um efeito selecionador que é importante que, além de sugerirmos uns aos outros que sejamos criativos, estejamos também atentos para reforçar respostas diferentes e originais. Skinner (1968) em seu livro Tecnologia do Ensino afirmou que valorizar o que foge à regra colide com a proposta tradicional de perfeição à qual somos submetidos desde cedo na escola e em casa, durante o processo de aprendizagem. Todavia, é exatamente isso que ele encoraja ao propor uma educação para a criatividade.
Uma das formas de se educar para promover comportamentos criativos é incentivar variações nos comportamentos já estabelecidos. A variabilidade é um componente intrínseco ao comportamento e vai acontecer invariavelmente. Estudos oriundos da pesquisa básica (Neuringer, 2002; Hunziker, 2006) mostraram que ela – a variabilidade – também está sob controle operante, logo, é selecionada pelas consequências que produz. Assim, é fundamental, se desejamos promover a criatividade, prestar atenção às variações do comportamento e oferecer consequências para isso.
Assim, para agir criativamente não basta saber que é importante agir dessa forma, é preciso também que isso tenha se tornado relevante ao longo de uma história de validação de respostas originais, por meio de uma comunidade verbal. Sabendo disso, a responsabilidade de agir com criatividade deixa de ser apenas individual e passa a ser coletiva. Então, cabe a cada sujeito, enquanto parte de uma comunidade, a tarefa de prestar atenção na variação e torná-la valiosa e não apenas sugerir que os indivíduos variem e torcer para que isso aconteça. 

Referências

Hunziker, M. H. L. (2006). Comportamento criativo e análise do comportamento I: Variabilidade comportamental. In H. J. Guilhardi, & N. C. Aguirre (Orgs.), Sobre comportamento e cognição: Expondo a variabilidade (vol. 18, pp. 156-165). Santo André: Esetec.
Neuringer, A. (2002). Operant variability: Evidence, functions, and theory. Psychonomic Bulletin & Review, 9(4), 672-705. doi: 10.3758/BF03196324.
Skinner, B. F. (1968). The Technology of teaching. New York: Appleton-Century-Crofts